UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL - ULBRA

Curso de Especialização em Informática na Educação

Metodologia da Pesquisa

Maria Alice Hofmann Martins

mariaalicehof@bol.com.br

 

 

 

Atividade 1 - Análise do Artigo Atividade 2 - Estudo de Caso Atividade 3 - Projeto de Pesquisa

 

 

Atividade 1 - Análise do Artigo
Artigo escolhido:

                               " Dizer e fazer usando o Logo Gráfico: Um caso de afasia semântica"

 

O artigo em questão refere-se a um experimento que utiliza os comandos básicos do logo gráfico, elaborado como parte da dissertação de mestrado da autora do texto .  O objetivo do estudo foi de analisar qualitativamente, as ações lingüistico-cognitivas do sujeito no momento de aprender algo que lhe é inteiramente novo.

 

Método de Pesquisa: Experimental
Tipo de Pesquisa: Quanto aos Objetivos: Descritiva Quanto à Natureza: Não Original Quanto ao Objeto: De Laboratório
Paradigma da Pesquisa: Qualitativo
Problemática: Afasia Semântica e Dificuldades Vísuo-Construtivas e Espaciais
Problema: Como um sujeito com afasia semântica e dificuldades vísuo-construtivas e espaciais interpreta e utiliza os comandos básicos do Logo Gráfico?
Hipóteses:
Questões Norteadoras:
Técnica de Pesquisa: Observação Individual            
Amostra: Não Probabilística Intencional
Análise dos Dados: Qualitativa-Descritiva

Topo

Atividade 2 - Estudo de Caso

 

As metodologias qualitativas têm despertado grande interesse dos pesquisadores em educação. De acordo com Bogdan e Biklen (1982), a pesquisa qualitativa define-se de acordo com cinco características básicas:

·        A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento:

·        Os dados coletados são predominantemente descritivos;

·        A preocupação com o processo é muito maior do que com o produto;

·        O significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial do pesquisador;

·        A análise dos dados tende a seguir um processo indutivo.

 

O Estudo de Caso é um dos tipos de pesquisa qualitativa que vêm ganhando crescente aceitação na área da educação.

O que é Estudo de Caso? Ë uma categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa profundamente. Pode ser caracterizado como um estudo de uma entidade bem definida, como um programa, uma instituição, um sistema educativo, uma pessoa ou uma unidade social. Visa conhecer o seu “como” e os seus “porquês”, evidenciando a sua unidade e identidade próprias. É uma investigação que se assume como particularística, debruçando-se sobre uma situação específica, procurando descobrir o que há nela de mais essencial e característico.

 

Características de um Estudo de Caso:

Trata-se de um tipo de pesquisa que tem sempre um forte cunho descritivo. O pesquisador não pretende intervir sobre a situação, mas dá-la a conhecer tal como ela lhe surge. Para tanto, pode valer-se de uma grande variedade de instrumentos e estratégias. No entanto, um estudo de caso não tem que ser meramente descritivo. Pode ter um profundo alcance analítico, pode interrogar a situação. Pode confrontar a situação com outras já conhecidas e com as teorias existentes. Pode ajudar a gerar novas teorias e novas questões para futura investigação. As características ou princípios associados ao estudo de caso se superpõem às características gerais da pesquisa qualitativa. Entre elas destaca-se:

·        Os estudos de caso visam a descoberta: mesmo que o investigador parta de alguns pressupostos teóricos iniciais, ele se manterá atento a novos elementos que poderão surgir, buscando novas respostas e novas indagações no desenvolvimento do seu trabalho.

·        Os estudos de caso enfatizam a interpretação em contexto: para melhor compreender a manifestação geral de um problema, deve-se relacionar as ações, os comportamentos e as interações das pessoas envolvidas com a problemática da situação a que estão ligadas.

·        Os estudos de caso buscam retratar a realidade de forma completa e profunda: o pesquisador enfatiza a complexidade da situação procurando revelar a multiplicidade de fatos que a envolvem e a determinam.

·        Os estudos de caso usam uma variedade de fontes de informação: o pesquisador recorre a uma variedade de dados, coletados em diferentes momentos, em situações variadas e com uma variedade de tipos de informantes.

·        Os estudos de caso revelam experiência vicária e permitem generalizações naturalísticas: o pesquisador procura relatar as suas experiências durante o estudo de modo que o leitor possa fazer as suas generalizações naturalísticas, através da indagação: o que eu posso (ou não) aplicar deste caso na minha situação?

·        Os estudos de caso procuram representar os diferentes pontos de vista presentes numa situação social: a realidade pode ser vista sob diferentes perspectivas, não havendo uma única que seja a verdadeira. Assim, o pesquisador vai procurar trazer essas diferentes visões e opiniões a respeito da situação em questão e colocar também a sua posição.

·        Os relatos do estudo de caso utilizam uma linguagem e uma forma mais acessível do que os outros relatórios de pesquisa: Os resultados de um estudo de caso podem ser dados a conhecer de diversas maneiras, incluindo a escrita, a comunicação oral, registros em vídeo, fotografias, desenhos, slides, discussões, etc. Os relatos escritos apresentam em geral, um estilo informal, narrativo, ilustrado por figuras de linguagem, citações, exemplos e descrições.

 

Como trabalhos de investigação, os estudos de caso podem ser essencialmente exploratórios, servindo para obter informação preliminar a cerca do respectivo objeto de interesse. Podem ser fundamentalmente descritivos, tendo como propósito essencial descrever como é o caso em estudo. E, podem ser analíticos, procurando problematizar o seu objeto, construir ou desenvolver nova teoria ou confronta-la com a teoria já existente. Um trabalho exploratório pode ser necessário como um estudo piloto de uma investigação em larga escala. Um estudo descritivo pode ser necessário para preparar um programa de intervenção. Mas são os estudos de cunho mais analítico os que podem proporcionar avanço mais significativo do conhecimento.

 

            Os estudos de caso podem e devem ter uma orientação teórica bem vincada. Que sirva de suporte à formulação das respectivas questões e instrumentos de recolhimento de dados e guia na análise dos resultados. A teoria é necessária para orientar a investigação. Ajuda a responder a questões como: que coisas observar? que dados colher? que perguntas fazer? que tipos de categorias construir?

 

            Argumentos mais comuns dos críticos do Estudo de Caso:

·        Falta de rigor;

·        Influência do investigador;

·        Fornece pouquíssima base para generalizações;

·        São muito extensos e demandam muito tempo para serem concluídos.

 

Respostas às críticas:

·        Há maneiras de evidenciar a validade e a confiabilidade do estudo. A validade tem a ver com a precisão dos resultados. Diz respeito ao modelo geral de estudo, exigindo a fundamentação dos conceitos essenciais, definição dos dados a recolher, processos e instrumentos utilizados para o recolhimentos desses dados, organização, análise e interpretação dos dados. A confiabilidade refere-se à questão de saber se as operações do estudo (recolhimento e análise de dados) poderiam ser repetidas, com resultados semelhantes. Diz essencialmente respeito aos instrumentos usados e à forma como são analisados;

·        O que se procura generalizar são proposições teóricas e não proposições sobre populações. Nesse sentido os estudos de casos múltiplos e/ou as replicações de um estudo de caso com outras amostras podem indicar o grau de generalização de proposições;

·        Nem sempre é necessário recorrer a técnicas de coleta de dados que consomem tanto tempo. Além disso, a apresentação do documento não precisa ser uma enfadonha narrativa detalhada.

             Bibliografia:

                LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli E. D. A. Pesquisa em Educação: Abordagens Qualitativas.Editora Pedagógica e Universitária LTDA.

                TRIVINOS, Augusto. Introdução à Pesquisa em ciências Sociais: A Pesquisa Qualitativa em Educação. São Paulo: Atlas, 1987.

             YIN, Robert K. Case Study Research: design and methods. Traduzido por: Ricardo L. Pinto. Adaptado por: Gilberto de A. Martins. Disponível em <http://www.eac.fea.usp.br/metodologia/estudo_caso.asp>. Acesso em 30/10/2002

                 PONTE, João Pedro. O Estudo de Caso na Investigação em Educação Matemática. Disponível em <http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/jponte/docs-pt/94-Quadrante(Estudo%20caso).doc> Acesso em 28/10/2002

 

Topo

Revisado em: 05 dezembro, 2002 .

ir para página pessoal